Nome científico:

Vipera latastei Boscà, 1878

Nome comum:
Víbora cornuda
Família:
Viperidae

 

 

Serpente pequena e roliça, que alcança até 70 cm de comprimento total, apesar de ser geralmente menor. A cabeça, bem definida, mostra uma distinta configuração triangular, bastante alargada face ao pescoço. Não apresenta placas cefálicas. As escamas rostrais são arrebitadas e formam um apêndice nasal típico, à maneira de um conspícuo corno. Os olhos têm pupila vertical (olho de gato). De cada lado da cabeça, é visível uma banda escura, desde o olho até ao pescoço.

A cauda é muito curta, estreitando abruptamente. O desenho dorsal consiste tipicamente numa banda dorsal escura (ex. cinzenta, acastanhada ou quase negra), disposta em ziguezague ao longo da parte mediodorsal do corpo. A coloração de fundo contrasta por ser mais clara, em tonalidades pardo acinzentadas.

O ventre é esbranquiçado/acinzentado com algumas manchas irregulares.

 

Habitat e Ecologia

Espécie de cariz mediterrânico, que precisa de locais abrigados com boa insolação, em geral nas vertentes viradas a sul, com solo pedregoso e vegetação densa e pouco alta. Habita os matos abertos, as clareiras dos bosques, orlas e sebes, zonas pedregosas e muros de pedra. Não é raro encontrar-se esta víbora nas zonas arenosas do litoral. Evita as áreas humanizadas e a presença humana.

A víbora cornuda caça de espera e, portanto, fica imóvel muito tempo, camuflada no solo, enquanto aguarda que a potencial presa passe perto. Também se desloca muito pouco para fora do seu território; apenas o macho na época de reprodução deambula um pouco à procura de fêmeas. Em geral esta serpente movimenta-se lentamente, embora a sua investida de ataque seja muito rápida e precisa.

 

Período mais favorável à observação

Apresenta letargia invernal, pelo que é frequente mostrar atividade de fevereiro a outubro, mesmo em dias parcialmente nublados.

 

Curiosidades

É uma serpente venenosa, mas só muito raramente e por azar ocorrem mordeduras, em pessoas incautas que, inadvertidamente, não a detetam. 

O comum das pessoas olha para uma víbora e de todo não a vê! Esta aparente incapacidade deve-se não só à frequente imobilidade da víbora, mas sobretudo ao processo cerebral humano de 'ver'. Para ver, a mente humana necessita, em geral, de recorrer instantaneamente ao banco de imagens armazenado na memória, pela experiência pessoal, e comparar o objeto real com as imagens inconscientemente memorizadas. Raramente temos em memória a configuração tipicamente enrolada da víbora camuflada no solo, o que dificulta muito a sua deteção pelo nosso sentido da visão. A mordedura pode, por isso, ocorrer quando alguém, inadvertidamente, coloca a mão ou pisa o corpo da víbora, que reage defensivamente ao aparente ataque humano.

 

Distribuição

Ofídio repartido pelo Magrebe e pela maior parte da Península Ibérica, desde o nível do mar até à montanha. Apesar disso, a sua ocorrência conhecida é geograficamente muito dispersa, existindo muitas lacunas nos registos da sua presença. Esta ausência tanto se pode dever à grande dificuldade na deteção da víbora, como ao acentuado declínio sofrido pelas suas populações nas últimas décadas. Tal situação teria sido fortemente induzida pelas alterações do habitat e pela perseguição humana. 

 

Estatuto de Conservação

Vulnerável (VU A2c) – IUCN.

 

Toxicidade

Dependendo da dose injetada, o veneno tanto pode ter efeitos proteolíticos e coagulantes, como desencadear reações anticoagulantes e hemolíticas. Apesar de raramente ser fatal, a mordedura é dolorosa e requer observação médica, para avaliação do grau de gangrena e para administração de um antídoto genérico.