Nome científico:

Timon lepidus (Daudin, 1802)

Nome comum:
Sardão
Família:
Lacertidae

 

 

 

É o maior lagarto ibérico, podendo atingir até 80 cm de comprimento total, dos quais 24-26 cm distam do focinho à cloaca. Lacertídeo bastante robusto apresenta um padrão cromático dorsal geralmente muito vistoso: um marmoreado verde vivo, mesclado de ocelos negros; nos flancos há algumas fiadas de ocelos azuis orlados de negro. O ventre é esbranquiçado ou amarelado. O macho distingue-se da fêmea por ter a sua cabeça bem mais larga.

 

Habitat e Ecologia

É um lagarto caraterístico dos biótopos mediterrânicos e, neste contexto amplo, trata-se de uma espécie eclética, capaz de viver desde as dunas litorais até aos matagais serranos. Não obstante, localmente prefere clareiras de pinhais, de bosques de carvalhos e de montados; ocorre em soutos, olivais e outros pomares tradicionais. Frequenta as áreas abertas com coberto vegetal arbustivo, afloramentos rochosos, orlas de caminhos e de campos agrícolas; se não o perseguirem vive bem em hortas, jardins e nas imediações de construções humanas. Prefere locais com abundância de abrigos (acumulações de pedras, muros, arbustos espessos) e com boa exposição solar, evitando os locais húmidos e sombrios como as matas demasiado densas. Paradoxalmente, o abandono rural das atividades agrícolas e pecuárias tradicionais levou paulatinamente a uma redução populacional dos lagartos, seja devido ao aumento exagerado do coberto arborizado, seja, em consequência deste último, ao deflagrar de grandes incêndios florestais. 

 

Período mais favorável à observação

Espécie diurna, geralmente está ativa desde fevereiro a outubro. No inverno reduz ou mesmo cessa a sua atividade. Embora seja um sáurio muito termófilo, nos dias estivais mais quentes e secos evita as horas de maior insolação. O sardão é muito esquivo, fugindo veloz e ruidosamente ao menor sinal de perigo ou à aproximação humana.

Na Herdade da Mitra nas últimas décadas notou-se um declínio populacional desta espécie. Vários morreram (sobretudo os jovens subadultos que se escondiam juntos aos edifícios) atropelados na estrada por veículos automóveis. Atualmente é uma espécie rara na Mitra aparecendo sobretudo nos afloramentos rochosos nas arribas da Ribeira de Valverde e eventualmente nas manchas de montado.

 

Curiosidades

Quando encurralado o sardão  revela-se agressivo; abre muito a boca, resfolega para intimidar e, se for caso disso, ataca sem hesitar. Por ser um animal vistoso que não passa despercebido é frequentemente perseguido e depois morto pelos habitantes rurais. Esta perseguição direta pelo homem constitui a causa do seu declínio evidente  em toda a sua distribuição ibérica. O sardão também sofre uma elevada taxa de mortalidade por atropelamento já que utiliza com frequência as estradas, por serem locais com boa exposição solar.

 

Distribuição

Originário da Península Ibérica, onde se encontra de modo geograficamente abrangente, estende a sua distribuição através do sul de França e no noroeste de Itália. Todavia se em Portugal está presente em todo o território continental, há de facto uma grande diminuição da sua presença por muitos locais onde historicamente sempre esteve presente. Devido à perseguição humana a que tem sido sujeito e sobretudo em consequência da fragmentação de habitat decorrente da intensificação agrícola e florestal, é apenas abundante nalgumas zonas isoladas. Nas zonas mais áridas do sul e nalgumas regiões do norte de Portugal tornou-se uma espécie rara.

 

Estatuto de Conservação

Quase Ameaçado (NT) – IUCN.